Mercedes-Benz reforça integração entre Brasil e Argentina para enfrentar avanço chinês na América Latina – Transporte Moderno

12/05/2026

De Zárate, Argentina – A Mercedes-Benz Camiones y Buses aposta na integração produtiva entre Brasil e Argentina e no fortalecimento das exportações regionais como pilares para sustentar competitividade na América Latina em meio à pressão crescente de marcas chinesas e à volatilidade do mercado argentino.

Durante a inauguração do novo complexo industrial de Zárate, executivos da companhia destacaram que o investimento de aproximadamente US$ 110 milhões (R$ 572 milhões na cotação atual) nos últimos quatro anos busca otimizar a base produtiva local, reforçar a liderança em caminhões e ônibus e ampliar a eficiência logística dentro do Mercosul.

A nova planta consolida um modelo de produção especializado em veículos comerciais, com foco em caminhões e ônibus, além de atividades de remanufatura de componentes como motores e transmissões — estratégia que, segundo a empresa, reduz custos, aumenta disponibilidade de peças e amplia a sustentabilidade do ciclo de vida dos produtos.

“É uma indústria global, mas altamente dependente de escala e sinergias entre regiões. A planta na Argentina está conectada à operação no Brasil, com fluxo de componentes em ambos os sentidos”, afirmou a Raúl Barcesat, presidente e CEO da Mercedes-Benz Caminhões e Ônibus Argentina, destacando o papel da integração com São Bernardo do Campo.

O modelo operacional reforça a lógica de rede produtiva na América Latina, em que o Brasil atua como hub de componentes e desenvolvimento tecnológico, enquanto a Argentina concentra montagem e atendimento a mercados locais e de exportação.

A estratégia ganha relevância em um cenário de abertura comercial gradual da Argentina e aumento da concorrência de fabricantes asiáticos. Segundo a empresa, a escala regional e a proximidade logística dentro do Mercosul seguem como vantagens estruturais frente a produtos importados de menor custo inicial.

No mercado argentino de veículos comerciais, a Mercedes-Benz mantém participação superior a 30% em caminhões e cerca de 60% em ônibus no ano anterior. O país registrou aproximadamente 17 mil caminhões e 3 mil ônibus emplacados em 2025, totalizando cerca de 20 mil unidades. Dentro desse cenário, a montadora respondeu por cerca de 5.900 caminhões e mais de 2.000 ônibus emplacados.

Mudança no perfil das importações

As marcas chinesas vêm ampliando rapidamente sua presença no mercado argentino, impulsionadas pela abertura recente das importações e pela estratégia agressiva de expansão na região. Em alguns recortes do mercado de veículos importados, essas marcas já respondem por quase 10% das vendas, posicionando a China como o terceiro principal fornecedor de veículos estrangeiros no país.

O movimento é sustentado por um aumento acelerado de embarques e pela entrada de novos players com preços mais competitivos, o que tem intensificado a pressão sobre fabricantes tradicionais e reforçado a mudança na composição do mercado automotivo argentino.

A indústria local opera em um mercado relativamente pequeno. A nova planta de Zárate foi estruturada para uma capacidade inicial de aproximadamente 17 unidades por dia na fase de ramp-up, o que reforça a necessidade de exportações para sustentar escala industrial.

A companhia avalia que o crescimento futuro dependerá menos do mercado doméstico e mais da inserção regional, especialmente América Latina e mercados selecionados de exportação. No período citado, a produção local ficou em torno de 5 mil unidades, enquanto cerca de 300 ônibus OH foram exportados ao México, ainda em fase de consolidação comercial.

Pressão chinesa e estratégia de valor

Executivos da Mercedes-Benz reconheceram o avanço de novos competidores globais, especialmente fabricantes chineses, mas destacaram que o diferencial do segmento de veículos comerciais vai além do preço de aquisição. “Caminhões e ônibus exigem serviço ao longo de todo o ciclo de vida. Sem rede de pós-venda e suporte operacional, o veículo não se sustenta economicamente”, afirmou a empresa, ao citar a complexidade logística da Argentina, com mais de 45 pontos de atendimento.

A companhia também reforçou que o foco não está em competir apenas em preço, mas em custo total de propriedade (TCO), incluindo manutenção, disponibilidade e eficiência operacional.

A integração com o Brasil segue como elemento central da estratégia regional. Componentes produzidos no mercado brasileiro abastecem a Argentina, enquanto parte da produção argentina é direcionada a outros mercados latino-americanos.

A empresa também destacou a importância de acordos comerciais e do ambiente regulatório do Mercosul para sustentar o fluxo produtivo regional e ampliar competitividade frente a fornecedores externos.

No horizonte tecnológico, a Mercedes-Benz avalia que a transição para veículos de emissão zero na América Latina será mais lenta do que na Europa, devido à infraestrutura de recarga e disponibilidade energética. A estratégia, segundo a companhia, é acompanhar a evolução da demanda e adaptar soluções

A jornalista viajou a convite da Mercedes-Benz

Clique aqui para acessar a fonte do texto!

Compartilhe nas redes sociais:

Categorias

Inscreva-se na nossa Newsletter e fique por dentro de todas as notícias

Por que ser associado?

Ao se associar, sua empresa passa a contar com uma entidade que representa o setor, facilita conexões, reduz custos e contribui para o desenvolvimento.

Leia também

JWM: Quando a logística integra responsabilidade social e diversidade ao modelo de negócio

Há uma diferença fundamental entre empresas que fazem responsabilidade social como projeto...

São Paulo cria plano para reduzir mortes no trânsito pela metade até 2030

Um dos principais pontos do novo plano é a mudança de abordagem...

Feriado de Páscoa 2026: o que você precisa saber antes de pegar a estrada

O excesso de velocidade continua sendo um dos principais fatores de risco...