Inflação do diesel perde força depois do pico de abril – Transporte Moderno

26/05/2026

Depois de semanas de forte pressão sobre o transporte rodoviário, a escalada do diesel começa a dar sinais de arrefecimento. Levantamento do Instituto de Logística e Supply Chain (ILOS) mostra que o movimento recente de queda do combustível reduziu a tensão sobre os custos do frete e afastou, ao menos no curto prazo, o risco de um novo reajuste para cima na tabela do Piso Mínimo de Frete da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

Segundo o estudo, no dia 23 de maio o diesel S10 foi cotado a R$ 7,16 por litro, valor 2,6% inferior ao preço de referência de R$ 7,35 utilizado na atual tabela da ANTT. O dado marca uma mudança importante em relação ao cenário observado entre março e abril, quando o combustível chegou próximo de R$ 7,60 por litro e ampliou a preocupação do setor com novos aumentos nos custos operacionais.

A tendência de acomodação também aparece nas projeções mais recentes da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Segundo levantamento do ILOS com base nos dados da agência, a projeção para esta semana aponta o diesel S10 a R$ 7,14 por litro, abaixo dos R$ 7,16 registrados oficialmente pela ANP na semana passada. O movimento indica uma nova queda de cerca de R$ 0,02 por litro e reforça a trajetória de desaceleração observada após o pico de abril.

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Regras do “gatilho” do frete

Pelas regras da ANTT, a tabela do piso mínimo é reajustada sempre que ocorre variação igual ou superior a 5% no preço do diesel. No cenário atual, o combustível está mais próximo do “gatilho” que poderia provocar uma redução da tabela — estimado em R$ 6,98 por litro — do que do limite que levaria a um aumento, calculado em R$ 7,72 por litro.

A desaceleração ocorre em um momento de maior cautela no setor de transporte. Nos últimos meses, transportadoras vinham enfrentando forte pressão causada pela alta do combustível, somada aos juros elevados, aumento de custos operacionais e dificuldade de repasse integral do frete.

Com o recuo do diesel, empresas do setor começam a enxergar um ambiente de maior previsibilidade para negociação de contratos e gestão operacional. O movimento também reduz a pressão inflacionária sobre a cadeia logística, já que o transporte rodoviário responde pela maior parte da movimentação de cargas no país.

Apesar do alívio recente, o mercado segue atento à volatilidade internacional do petróleo e ao comportamento do câmbio, fatores que continuam influenciando diretamente os preços internos dos combustíveis. A possibilidade de novas oscilações mantém transportadoras e embarcadores em estado de monitoramento constante.

Ainda assim, o cenário atual representa uma mudança relevante em relação ao ambiente de tensão observado no início do segundo trimestre, quando o mercado chegou a trabalhar com a perspectiva de novo reajuste para cima na tabela do frete diante da disparada do diesel.

Agora, segundo o levantamento do ILOS, o movimento é inverso: o combustível devolve parte das altas acumuladas e reduz a pressão sobre um setor que ainda tenta recuperar margens em meio ao desaquecimento da economia e à demanda mais moderada por transporte.

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