Faltam motoristas; sobram vagas nas transportadoras – Transporte Moderno

25/07/2026

A escassez de motoristas profissionais continua sendo um dos principais gargalos da logística brasileira. Levantamento divulgado pelo Infojobs mostra que há 4.966 vagas abertas para motoristas em todo o país, com salário médio de R$ 2.850 mensais. Mais do que indicar aquecimento do mercado de trabalho, o número reforça um problema que transportadoras e empresas de ônibus vêm enfrentando há anos: preencher essas vagas tornou-se cada vez mais difícil.

O desafio ocorre justamente em um setor responsável por aproximadamente 65% de toda a carga movimentada no Brasil e por mais de R$ 1 trilhão em mercadorias transportadas anualmente, segundo a Confederação Nacional do Transporte (CNT). Ao mesmo tempo, entidades do setor estimam que o país conviva atualmente com um déficit superior a 120 mil motoristas profissionais, situação que já impacta a disponibilidade de veículos, os custos operacionais e a eficiência das cadeias logísticas.

A escassez de mão de obra é resultado de uma combinação de fatores. O envelhecimento da categoria, a baixa entrada de jovens na profissão, os custos para obtenção e mudança de categoria da Carteira Nacional de Habilitação (CNH), as despesas com cursos obrigatórios e as condições de trabalho nas estradas estão entre os principais motivos apontados por especialistas e entidades do setor. A dificuldade para conciliar as longas jornadas com a vida familiar e os problemas de segurança nas rodovias também contribuem para reduzir o interesse pela atividade.

Os dados da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) ajudam a dimensionar essa transformação. Na última década, o número de motoristas habilitados nas categorias profissionais caiu de aproximadamente 5,6 milhões para cerca de 4,4 milhões, enquanto a idade média dos condutores aumentou e a participação de jovens diminuiu, evidenciando a dificuldade de renovação da força de trabalho.

A preocupação com esse cenário levou inclusive o SEST Senat a lançar, neste ano, o programa Mais Motoristas, voltado à ampliação do número de profissionais habilitados por meio do custeio da mudança de categoria da CNH e da capacitação para o exercício da profissão. A iniciativa busca reduzir uma das principais barreiras de entrada na carreira: o elevado custo para obtenção das habilitações C, D e E e das certificações exigidas para o transporte profissional.

Concentração das vagas

Segundo o levantamento do Infojobs, São Paulo concentra o maior volume de oportunidades, com 913 vagas abertas, reflexo do peso do estado na movimentação de cargas e passageiros. Na Região Sul, o Paraná reúne 390 vagas, seguido pelo Rio Grande do Sul, com 343, e por Santa Catarina, com 317.

Em remuneração, Santa Catarina apresenta o maior salário médio entre os três estados, de R$ 3 mil mensais. No Paraná, a média é de R$ 2.850, enquanto no Rio Grande do Sul chega a R$ 2.736.

Embora o levantamento indique salário médio nacional de R$ 2.850, o valor engloba diferentes perfis de contratação e modalidades de transporte. Na prática, a remuneração varia conforme o segmento de atuação, o tipo de veículo conduzido, a região do país e a composição entre salário fixo, diárias, comissões e benefícios.

Desafio vai além do recrutamento

Para especialistas, a dificuldade de contratação não decorre da falta de vagas, mas da redução da oferta de profissionais qualificados. O envelhecimento da categoria, aliado à baixa reposição por novos motoristas, faz com que muitas empresas mantenham processos seletivos abertos durante meses.

O problema afeta tanto o transporte rodoviário de cargas quanto o de passageiros e tende a ganhar importância nos próximos anos, à medida que aumenta a demanda por serviços logísticos impulsionada pelo comércio eletrônico, pelo agronegócio e pela recuperação da atividade econômica. Nesse cenário, atrair, formar e reter motoristas passou a ser uma prioridade estratégica para transportadoras, operadores logísticos e empresas de transporte coletivo.

Os dados do Infojobs foram divulgados em referência ao Dia do Motorista, celebrado em 25 de julho, e reforçam que a falta de mão de obra continua sendo um dos principais desafios para a competitividade do transporte brasileiro.

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