Tecnologia reduz aplicação de plástico em cintas para amarração

19/07/2026

Solução sustentável para logística já impediu o uso de 12 mil toneladas 

Redação TranspoData

Foto Divulgação

Filho de uma família de trabalhadores CLT, Leandro da Silva aprendeu mecânica com o pai e passou 14 anos na indústria de usinagem. Inventor nato, desenvolveu soluções para as empresas em que passou, mas há 11 anos criou a ideia que mudaria sua vida: as cintas reutilizáveis para logística.

À frente da AgilFix, marca pioneira na fabricação de cintas reutilizáveis de amarração de carga, o empreendedor domina um mercado em plena expansão e fabrica em escala cerca de 17 mil unidades do produto por mês. Para 2026, impulsionado por um novo modelo de locação, pela alta nos preços do plástico e exigências ambientais mais rígidas, planeja faturar R$ 6 milhões.

Natural de Joinville, Santa Catarina, o CEO estima que 98,5% do setor logístico ainda utiliza material descartável e faz uma projeção: se, com apenas 1,5% de participação de mercado, foi possível evitar mais de 12 mil toneladas de plástico, imagine com 5%? “Seria possível mais que triplicar”, destaca.

Aos 29 anos, Leandro Silva uniu as duas coisas: conhecimento técnico e vendas. Ao entrar em uma empresa que vendia ferramentas, decidiu que não venderia apenas por preço, mas pelo conhecimento técnico, mostrando ao cliente o ganho real de produtividade e eficiência. Deu certo e, em três meses, era o melhor vendedor entre 12 profissionais.

Após um ano e meio, surgiu o insight que mudaria sua trajetória: um amigo que havia retornado dos Estados Unidos comentou sobre cintas de velcro utilizadas para amarração de cargas paletizadas. O engenheiro achou a ideia interessante porque no Brasil usa-se um filme plástico descartável, o stretch, que é caro e nada sustentável. Ainda assim, o velcro da solução norte-americana também tinha um alto custo e não durava muito, como o catarinense conhecia bem por causa das bermudas de surf que utilizava.

Ele se desafiou a criar algo melhor e, em 45 dias, desenvolveu o primeiro protótipo funcional. Convencido do potencial, pediu demissão e estruturou um plano de negócios para tirar a ideia do papel. Em 2014, buscou investimento e conseguiu o aporte inicial de R$ 200 mil com um empresário que já havia sido seu chefe e acreditou no projeto.

Com a empresa formalizada, o empreendedor conta que logo na primeira venda conseguiu implementar a solução em uma grande fabricante multinacional que utilizava algo semelhante nos Estados Unidos. Inicialmente, o crescimento esteve longe de ser linear e, após dois anos, ele comprou a parte do sócio e seguiu sozinho.

Os primeiros quatro anos foram difíceis, mas a dor que a AgilFix resolve está no coração da operação logística: o uso intensivo de filme stretch, um plástico descartável aplicado em praticamente todos os pallets transportados pela indústria. Além do volume massivo de resíduos, o material representa um custo recorrente.

Assim, reduzir o desperdício deixou de ser apenas uma questão ESG, para se tornar uma decisão estratégica. Com a troca, é possível obter o retorno sobre investimento em meses. Para facilitar este tipo de análise, a empresa desenvolveu uma calculadora própria, que estima a economia e a redução de emissões de CO2 com base no volume de pallets movimentados.

Para comprovar com resultados mensuráveis que sustentabilidade é um bom negócio, a marca lançou um modelo de locação das cintas reutilizáveis. A ideia surgiu porque, diante da resistência de parte dos clientes em acreditar na durabilidade do produto, a empresa passou a oferecer planos nos quais o contratante utiliza a solução e a marca assume a responsabilidade por eventuais reposições. Em muitos casos, já nos primeiros meses, os clientes percebem que a cinta não se desgasta e passam a demonstrar interesse em adquirir o produto, transformando a locação em uma porta de entrada para contratos mais longos.

Hoje, Leandro Silva emprega sua veia de inventor a serviço da própria empresa e dos clientes. Boa parte dos processos da fábrica em Joinville foi desenvolvida para garantir eficiência e padronização, incluindo um sistema próprio de testes que avalia cada cinta produzida. Antes de sair da fábrica, cada unidade passa por uma máquina que tensiona o material e verifica a qualidade das costuras, eliminando falhas antes da entrega. O empreendedor comemora que, desde a criação da empresa, nunca houve registro de devolução por defeito de fabricação, resultado direto desse controle automatizado.

 


Post Views: 117

Clique aqui para acessar a fonte do texto!

Compartilhe nas redes sociais:

Categorias

Inscreva-se na nossa Newsletter e fique por dentro de todas as notícias

Por que ser associado?

Ao se associar, sua empresa passa a contar com uma entidade que representa o setor, facilita conexões, reduz custos e contribui para o desenvolvimento.

Leia também

JSL tenta reduzir rotatividade e viagens vazias com programa de findelidade – Transporte Moderno

A JSL lançou um programa de fidelidade para motoristas autônomos com foco...

São Paulo cria plano para reduzir mortes no trânsito pela metade até 2030

Um dos principais pontos do novo plano é a mudança de abordagem...

Crédito do Move Brasil pode virar armadilha para transportadoras endividadas; entenda – Transporte Moderno

O novo ciclo de crédito subsidiado para renovação de frota abriu uma...