“Nossa estratégia é gerar empregos”, diz CEO da Mercedes sobre concorrência chinesa – Transporte Moderno

12/05/2026

De Zárate, Argentina

A Mercedes-Benz quer transformar Brasil e Argentina em uma plataforma regional de produção e exportação de veículos comerciais em meio ao avanço das montadoras chinesas na América Latina. A estratégia da Daimler Truck prevê ampliar a integração industrial entre os dois países, elevar a escala produtiva e expandir exportações para mercados como África, Oriente Médio e outros países latino-americanos. O movimento foi detalhado por Denis Güven, presidente da Mercedes-Benz do Brasil e CEO para a América Latina, durante a inauguração do novo centro industrial da companhia em Zárate, na Argentina, na última sexta-feira, 8 de maio.

Com investimento de US$ 110 milhões, a nova fábrica argentina nasce em um momento de aumento da concorrência asiática no setor de caminhões, especialmente em segmentos de entrada e em tecnologias alternativas, como eletrificação. Segundo Güven, a resposta da Daimler Truck para esse cenário passa por ampliar integração regional, aumentar exportações e fortalecer a produção local.

“Outros competidores estão tentando dividir o mercado. Nossa estratégia é diferente. Queremos criar empregos no Brasil e na Argentina aumentando exportações”, afirmou o executivo, em referência indireta ao avanço das marcas chinesas na região. A avaliação ocorre em um momento em que fabricantes chinesas ampliam presença na América Latina com preços mais agressivos, expansão de portfólio e investimentos industriais locais, pressionando as montadoras tradicionais.

Já considerando o cenário atual do mercado brasileiro em 2026 — incluindo elétricos e operações comerciais recentes — o número de fabricantes chinesas presentes ou em entrada ativa no Brasil chega a pelo menos seis: Foton, BYD, XCMG, Sany JAC, Farizon e Sinotruk.

Leia mais

Governo lança Move Brasil 2 com R$ 21,2 bi em crédito e juros a partir de 11%
Frete abaixo do piso será bloqueado: ANTT endurece regras
Sany Trucks assume antiga fábrica da Mercedes-Benz em Indaiatuba e inicia produção em julho

Brasil ganha papel estratégico

Na visão da companhia, o Brasil deve assumir papel cada vez mais relevante dentro da estratégia global da Daimler Truck justamente pela capacidade de desenvolver caminhões adaptados a condições severas de operação. “Os caminhões brasileiros precisam de muita qualidade e durabilidade. São algumas das condições mais difíceis do mundo. Isso cria produtos que também podem atender outros mercados”, disse Güven.

A estratégia prevê usar a operação brasileira como fornecedora da nova planta argentina, instalada em Zárate. O modelo industrial adotado é o CKD (completely knocked down), em que componentes chegam desmontados para montagem local. Cabines, motores, transmissões e outros conjuntos serão enviados principalmente da fábrica de São Bernardo do Campo (SP).

Segundo o executivo, o objetivo da integração é aumentar eficiência industrial e sustentar volumes de produção em um momento de desaceleração do mercado brasileiro de caminhões, pressionado pelos juros elevados e pela restrição ao crédito. “O movimento ajuda a estabilizar a demanda em um período em que as taxas de juros têm grande impacto negativo”, afirmou.

Apesar da integração, Güven descartou qualquer migração de produção do Brasil para a Argentina. “Enviar peças do Brasil para a Argentina, montar o caminhão e trazer de volta não faz sentido econômico”, disse.

Inicialmente, a unidade argentina atenderá o mercado local e exportará ônibus para o México. Mas a Mercedes-Benz já enxerga potencial para ampliar embarques para África, Oriente Médio e outros mercados latino-americanos. Segundo o executivo, a flexibilidade industrial da nova operação permitirá adaptar produtos para países com exigências semelhantes às da Argentina, especialmente mercados ainda sob padrão Euro 5.

A estratégia regional ganha importância em um momento em que as montadoras tradicionais tentam preservar competitividade global diante da pressão chinesa, que combina preços mais baixos, forte presença em veículos elétricos e rápida expansão internacional.

Gás ainda não entrou no radar

Questionado sobre possíveis investimentos em caminhões e ônibus movidos a gás, Güven afirmou que a estratégia global da Daimler Truck segue concentrada em redução de emissões via eletrificação e combustíveis sustentáveis.

Segundo ele, a companhia acompanha o aumento da demanda por veículos a gás em alguns países, impulsionado também pela busca de independência energética. “Hoje não temos essa solução disponível, mas seguimos monitorando a demanda. Se houver necessidade de investir nisso para os clientes, faremos”, afirmou. A posição contrasta com movimentos de concorrentes como Scania e Volvo, que vêm ampliando ofertas de caminhões a gás e biometano no mercado brasileiro.

A jornalista viajou a convite da Mercedes-Benz

Clique aqui para acessar a fonte do texto!

Compartilhe nas redes sociais:

Categorias

Inscreva-se na nossa Newsletter e fique por dentro de todas as notícias

Por que ser associado?

Ao se associar, sua empresa passa a contar com uma entidade que representa o setor, facilita conexões, reduz custos e contribui para o desenvolvimento.

Leia também

Projeto Lideranças Empáticas da FECAP chega à 9ª edição com 124 toneladas de alimentos arrecadados

Iniciativa já impactou mais de 2 mil estudantes e combina formação em...

Amazon abre centro de distribuição na Bahia

Equipamento operado pela DHL Supply Chain visa acelerar as entregas no Nordeste...

Quando os dados do transporte viram estratégia

Na 9ª edição do Prêmio Top of Mind do Transporte, a TranspoData...