“Vai subir o custo do transporte e alguém vai pagar a conta” – Transporte Moderno

13/04/2026

A JSL avalia que o modelo atual da tabela de frete tende a elevar o custo do transporte rodoviário e ainda não reflete a complexidade das operações. Para Guilherme Sampaio, CEO da companhia, o principal problema está na tentativa de padronizar um setor marcado por variáveis que impactam diretamente o custo.

“A tabela não consegue capturar a especificidade de cada operação. A mesma carga, na mesma rota, pode ter variação de 10% a 20% no consumo de combustível dependendo do peso. Em alguns trechos, como subida ou descida de serra, essa diferença pode chegar a 30%”, afirma.

Segundo ele, fatores como tipo de carga, topografia, necessidade de sanitização, retorno vazio e características do veículo alteram significativamente o custo da viagem. “É praticamente impossível ter uma tabela aplicável a todo e qualquer transporte no Brasil”, diz.

Renegociação e impacto

Com a ampliação das exigências e o endurecimento das regras, a companhia já iniciou a revisão de contratos. “Diria que quase todos foram renegociados”, afirma Sampaio. Na avaliação da executivo, o impacto tende a se espalhar pela cadeia. “Vai subir o custo do transporte de forma geral e alguém vai ter que pagar essa conta”, diz.

Ele afirma que o objetivo de proteger o caminhoneiro é legítimo, mas alerta para o risco de distorções. “A sustentabilidade do caminhoneiro depende de ele continuar sendo contratado. Se o custo ficar desalinhado com a realidade da operação, o sistema perde equilíbrio.”

A discussão ocorre em meio ao endurecimento recente das regras do piso mínimo de frete em função da escalada dos preços dos combustíveis impactados pelos conflitos bélicos no Oriente Médio. O governo ampliou os mecanismos de fiscalização e passou a prever sanções mais elevadas para operações abaixo da tabela, além de avançar no monitoramento eletrônico das contratações.

Ao mesmo tempo, a tabela segue sendo atualizada em função da variação do diesel e passou por revisões metodológicas recentes, em uma tentativa de aproximar os valores dos custos efetivos da operação.

Para Sampaio, o modelo ainda está em fase de ajuste. “É um período de adaptação. A intenção é legítima, mas precisa evoluir para considerar melhor as diferenças entre operações”, afirma o executivo.

Outro ponto levantado pelo CEO é a dificuldade de comparação com as referências oficiais. Segundo ele, há múltiplas tabelas aplicáveis a uma mesma rota, o que aumenta a complexidade para transportadoras e embarcadores. “A maior dificuldade é saber com qual tabela você deve se comparar. Existem várias referências para uma mesma operação.”

Estratégia e estrutura

Apesar da complexidade do cenário, a JSL experimenta momento de expansão. A companhia registrou receita bruta de R$ 11,4 bilhões nos 12 meses de 2025, com EBITDA de R$ 2 bilhões e margem de 20,5%. A operação reúne cerca de 31 mil ativos e 35 mil funcionários diretos. A empresa atua em todos os estados brasileiros e em outros oito países, com presença na América do Sul e na África.

A companhia reorganizou sua estrutura nos últimos anos e passou a operar com três unidades de negócio. A divisão de serviços dedicados, que responde por cerca de 60% da receita, concentra contratos de longo prazo com clientes e operações estruturadas, com ativos, equipes e gestão próprios para cada projeto.

A área de intralogística, responsável por aproximadamente 25% do faturamento, reúne operações dentro de armazéns, incluindo gestão de estoques e movimentação interna de cargas.

Já a operação digital foi estruturada para atuar no mercado de carga geral, marcado por contratação sob demanda e maior fragmentação. “É um modelo completamente diferente. O embarcador não define com antecedência volume ou frequência. É um mercado mais dinâmico e competitivo”, afirma Sampaio.

Digitalização e escala

O segmento de carga geral, estimado em cerca de R$ 500 bilhões, concentra a estratégia de crescimento via tecnologia. Diferentemente dos contratos dedicados, esse mercado opera sob demanda, com baixa previsibilidade e maior pressão por preço.

“É um modelo em que você precisa ter o caminhão certo, na hora certa, próximo da carga. Sem digitalização, não escala”, conclui o executivo.

Fique por dentro de todas as novidades do setor de transporte de carga e logística:
Siga o canal da Transporte Moderno no WhatsApp
Acompanhe nossas redes sociais: LinkedInInstagram e Facebook
Inscreva-se no canal do Videocast Transporte Moderno



Clique aqui para acessar a fonte do texto!

Compartilhe nas redes sociais:

Categorias

Inscreva-se na nossa Newsletter e fique por dentro de todas as notícias

Por que ser associado?

Ao se associar, sua empresa passa a contar com uma entidade que representa o setor, facilita conexões, reduz custos e contribui para o desenvolvimento.

Leia também

Mulheres são maioria no transporte rodoviário de carga  

Pesquisa do Instituto Paulista do Transporte de Cargas apurou, pela primeira vez,...

Feriado de Páscoa 2026: o que você precisa saber antes de pegar a estrada

O excesso de velocidade continua sendo um dos principais fatores de risco...

Loggi cria hubs de conteúdo para aproximar atores do mercado

Loggi cria hubs de conteúdo para aproximar atores do mercado – Transpodata...